O Estado como instrumento de Defesa Social

Grão lançado ao ar por All3X às 10:55 de domingo, 9 de novembro de 2008

Até a Segunda Guerra Mundial, os campos de batalha e seus episódios ainda ficavam longe do restante da população. Só que a partir daquele momento, com o crescimento da mídia atingindo um elevado número de pessoas, as notícias dos horrores da guerra passaram a chegar em grande quantidade para todos.

E não eram poucas mesmo, a guerra alcançou uma escala sem precedentes na história e com alto nível de sofisticação dos mecanismos de destruição e morte em massa – caracterizada como a época dos grandes massacres. Acontecimentos como esses levaram a uma forte conscientização popular pela necessidade de se criar mecanismos eficientes e eficazes para a implementação e manutenção da paz.

O que marcou foi a constatação de como o Estado pode servir do abuso de seu poder e matar tantos cidadãos de forma tão ampla. Os números da grande guerra falam por si só. O Estado, que é visto como o poder politicamente organizado e legalmente constituído, que justamente é estabelecido para a defesa dos indivíduos sociais que o compõem, foi o principal articulador da grande carnificina vivenciada naqueles tempos. E que vivenciamos ainda hoje em muitos momentos.

Foi para a defesa do homem, independente de qualquer vínculo pátrio, de etnia, de crença religiosa ou filosófico-política, que houve a necessidade de imposição de limitações ao uso do poder pelos governantes, estabelecendo garantias em relação àqueles que serão governados. Colocando o ser humano acima do Estado, devendo este respeitar valores e princípios em âmbito, inclusive, supranacionais. Pois o ser humano é visto como indivíduo que deve usufruir de direitos universais, sem distinções quaisquer.

Leis, tratados, convenções e outros tantos mais mecanismos normatizadores foram erigidos não para servir de garantia ao Estado para que os indivíduos o obedeçam em suas ordens. Mas ao contrário, para os cidadãos terem preservados uma segurança jurídica de que o Estado não viole mais os direitos mais básicos e fundamentais de todo ser humano.

Depois de grandes momentos de atrocidades (como na segunda guerra) ressurgem ideologias que buscam a promoção desses ideais de satisfação dos interesses individuais, respeitando também os da coletividade, para visar à conservação do bom convívio social. No entanto, resta saber se tais mandamentos estão sendo alcançados.

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25 outro(s) grão(s) se juntaram a este.

  1. Postado em domingo, novembro 09, 2008 3:05:00 PM

    Oi, Alex!

    Lembrei agora das aulas de Ciência política da faculdade...hehehe...qdo o homem saiu do estado de natureza e resolveu viver me sociedade, delegando poder aos líderes e representantes.

    Ainda acho que a democracia plena é a forma mais eficaz de sociedade. Criar leis e segui-las, tendo como base o que elas afetarão a nossa vida, o social.

    No Brasil, por exemplo, temos 20 e poucos anos de democracia. A maioria dos nosso políticos eleitos são de outra geração e ainda não consegue compreender toda forma ampla que a democracia pode oferecer. Claro que há casos e casos. Mas ainda estamos caminhando...hehehe

    Excelente post!

    Abraço,

    =]

    -------------------
    http://cafecomnoticias.blogspot.com

     
  2. Marcelo disse:
    Postado em domingo, novembro 09, 2008 10:29:00 PM

    Pois é, mas não há estado de direito constituído que suplante a indústria da guerra. O que move o ser humano a um combate é o desejo de ganhar, ganhar, ganhar... uma guerra é uma indústria que movimenta milhões de dólares em armas, logística, materiais diversos e, finalmente, quando se acredita que chegou ao fim, vem o grupo de reconstrutores... e esses ganham tanto dinheiro quanto os destruidores.
    Enquanto a guerra for lucrativa, haverá um estado levantando bandeiras nacionalistas, ideológicas, religiosas contra o outro.

     
  3. All3X disse:
    Postado em segunda-feira, novembro 10, 2008 2:35:00 PM

    Wander, estamos caminhando mesmo, pois temos um longo processo ainda a aprender. Uma dessas coisas é justamente tornar eficaz mecanismos para que situações narradas pelo Marcelo, aqui em cima, não possam acontecer.
    Valeu aos dois,
    All3X

     
  4. rosangela disse:
    Postado em segunda-feira, novembro 10, 2008 2:54:00 PM

    Continua acontecendo os horrores .. mas agora são "dicimulados" .. e não são com a mesma "atrocidades" da epoca .. pois não tem como negar que houve uma evolução infelizmente até pra isso ... vemos o caso que não saiu dos noticiarios do cara que matou uma menina e guadou o corpo em uma maleta..

     
  5. Chimia Man disse:
    Postado em segunda-feira, novembro 10, 2008 3:08:00 PM

    Cara , gostei demais do blog! Ótimos textos , para se refletir!

     
  6. Postado em segunda-feira, novembro 10, 2008 3:28:00 PM

    Dizem que as maiores evoluções do mundo vieram das épocas de guerra ... será?

     
  7. Postado em segunda-feira, novembro 10, 2008 6:44:00 PM

    Barack ganha, Lula ganha, Putin ganha, e o Leviatã continua lá.

    Política é um negócio divertido!

     
  8. Postado em segunda-feira, novembro 10, 2008 11:23:00 PM

    isso sempre funciona
    joaoaquila.com

     
  9. Esconderijo disse:
    Postado em segunda-feira, novembro 10, 2008 11:41:00 PM

    Gsotei muito, no começo do texto, quando você fala que os meios de comunicação serviram para aproximar o homem da desgraça da guerra. As fronteiras começavam a ruir...Hoje vemos como as coisas se transformaram. Não há distâncias mais.

    Muito bom texto.

    Um abraço.

    http://escondidin.blogspot.com/

     
  10. Postado em segunda-feira, novembro 10, 2008 11:53:00 PM

    Alex,
    vim novamente agradecê-lo pelas palavras gentis!
    Muito obrigada por sua visita ao facetas!
    Muito obrigada por gostar tanto do que escrevo.

    Um grande abraço.
    ellen regina
    www.facetasdemim.blogspot.com

     
  11. Postado em segunda-feira, novembro 10, 2008 11:56:00 PM

    Lendo esse texto me senti de volta as minhas aulas da faculdade... É realmente estamos caminhando ainda e infelizmente com passos pequenos e devagar. Temos um longo processo pela frente e mudanças só vão ocorrer de fato quando o uso do pensamento crítico for realidade!!!

     
  12. Postado em terça-feira, novembro 11, 2008 9:17:00 PM

    A humanidade costuma ter grandes dificuldades para escolher ou determinar sistemas políticos equilibrados. O Estado não pode mandar nas pessoas. Mas as pessoas também não podem mandar no Estado (afora em sistemas democráticos perfeitos, utópicos). Mesmo assim, o fato é que nossas grandes aberrações históricas aconteceram através dos mandos e desmandos de governantes que acreditam que as máquinas de governo são deles e para eles.

    Engraçado é que, economicamente, vivemos o mesmo problema. A excessiva intervenção bloqueia o comércio, representa um entrave ao desenvolvimento. O liberalismo, por sua vez, deixa-nos à mercê do mercado, de crises econômicas como esta.

    Na política, como na economia, é preciso procurar pelo tal equilíbrio de forças.

    Até mais!

     
  13. All3X disse:
    Postado em quarta-feira, novembro 12, 2008 2:58:00 PM

    Como assim Daniel, utópicos...
    Não, a democracia de ve ser perseguida por todos até a última conseqüência. A população deve sim ditar as diretrizes do Estado.
    No mais, é isso, valeu
    All3X

     
  14. Igo Araujo disse:
    Postado em quarta-feira, novembro 12, 2008 4:38:00 PM

    eeh
    seria interessante se os indivíduos realmente estivesse acima do estado, que o bem estar social fossem prioridade ao invés da supremacia nacional. os tratados e convenções não garatem nada ao indíviduo nem impedem Estados de subjulgarem outros. Basta ver a ONU em relação aos EUA...

    flws

     
  15. Renata. disse:
    Postado em quarta-feira, novembro 12, 2008 4:51:00 PM

    Muito interessante seu texto,está ai uma parte da história que me interessa muito,e a mesma será sempre discutida e opinada de diversas formas. Gostei mesmo do texto.

     
  16. Postado em quarta-feira, novembro 12, 2008 4:59:00 PM

    O texto me fez lembrar um conceito de Sartre em que ele relacionava liberdade, violência e prisão. A liberdade então nos leva a violência e esta nos leva a prisão. Para ele, somos condenados a ser livres, mesmo não querendo. Contraditório, mas faz sentido e dá vazão aos inúmeros tratados, órgãos e entidades criadas no pós-guerra.

    A ONU, por exemplo, foi criada justamente para coibir o abuso dos Estados. Luta vá ou até mesmo hipócrita, pois foi justamente pela omissão dela que grandes atrocidades ocorreram durante o século XX.

    Quando o conceito de democracia surgiu, a idéia principal era justamente combater as desigualdades, principal motivo da violência. E foi a partir da palavra, do diálogo, que se procurou estabelecer uma relação menos violenta entre as pessoas. Um dos desafios da democracia foi proporcionar, na prática, o poder da palavra para todos, e que esta tivesse o mesmo peso para todos os cidadãos. No entanto, há que se dizer que a busca por esta justiça está cada vez mais difícil de ser alcançada num mundo onde a concentração de riquezas e de poder é incentivada a cada esquina.

     
  17. Postado em quarta-feira, novembro 12, 2008 5:01:00 PM

    em off: aonde ou como você conseguiu essa nuvem de tags?

     
  18. All3X disse:
    Postado em quinta-feira, novembro 13, 2008 2:18:00 PM

    Sim Michell, é do espítito do ser humano buscar a liberdade, mas mais do que isso, queremos a realização de nossos interesses a qualquer custa. Temos então que impor barreiras para tanto, pois não podemos ultrapassar e invadir a esfera de atuação do próximo.
    Seu assunto é muito pertinente, espero tratar dele em próximo post.

    Quanto ao Blogumus, é so ir em http://www.bloggerbuster.com/2008/08/blogumus-flash-animated-label-cloud-for.html

    Valeu,
    All3X

     
  19. Postado em quinta-feira, novembro 13, 2008 3:22:00 PM

    Olha eu de novo marcando presença..

    Abç...

     
  20. Tânia Mara disse:
    Postado em quinta-feira, novembro 13, 2008 3:23:00 PM

    A guerra existe também dentro de nós, mas a que choca é aquelas que causam mortes humanas.

     
  21. Finim disse:
    Postado em quinta-feira, novembro 13, 2008 3:25:00 PM

    Eu ainda acho que estamos muuuuito longe de alcançar essa justiça, e colocar o Ser Humano acima do Estado!

     
  22. Postado em sexta-feira, novembro 14, 2008 1:21:00 PM

    "Não sei seé um engano meu, ou está muito óbvio e não percebi, mas as postagens desse blog estão repletas de reflexões sobre a fugacidade do tempo.
    É isso mesmo? Porque a razão?"

    Nem tinha notado, a priori, mas deve ser pq uma fase em que ando pensativo sobre o tema coincidiu com uma fase em que andava pensativo sobre o tema. (Mesclo postagens de antigos blogs entre os novos)

     
  23. All3X disse:
    Postado em sexta-feira, novembro 14, 2008 2:10:00 PM

    Rosãngela, volte sempre que puder e quiser
    E Paulo, valeu por vir aqui esclarecer sobre a dúvida surgida em seu blog por mim.
    Até mais a todos
    All3X

     
  24. Postado em sábado, novembro 15, 2008 12:02:00 AM

    Bem, creio que democracia perfeita é a proposta por Rousseau. Eu perco a razão quando digo "utópicas" porque elas são possíveis. Existem vilas suiças em que a Assembléia é, de fato, do povo. No entanto, nesta concepção de Estado, de grandes federações, ainda creio que a essência democrática, sem essa história de representatividade, ainda é impossível. Mas é óbvio que podemos vislumbrar sistemas melhores e que se aproximem mais deste grau de democracia.

    Até mais!

     
  25. All3X disse:
    Postado em terça-feira, fevereiro 10, 2009 11:46:00 AM

    Ótimo Daniel, acredito que o sistema de representatividade é sim um bom modelo, a falha é não nos deixarmos bem representados...
    All3X

     

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