Consumo Consciente

Grão lançado ao ar por All3X às 17:27 de domingo, 10 de maio de 2009


Por intermédio de hábitos simples e gestos práticos e que pouco nos incomodam, podemos adotar o consumo consciente de produtos que nos são muito úteis e cômodos, sem que com isso degrademos o ambiente à nossa volta. Uma saga que há muito já nos acompanha.


Após mais um longo dia de viagem pela costa mediterrânea do oriente próximo, por volta do ano quatro mil antes de Cristo, um grupo de mercadores fenícios desembarcam numa praia para montar acampamento. Por ali, para se aquecerem e preparar o alimento, acendem uma fogueira por entre a areia e conchas e tiram uma noite de descanso. Pelo amanhecer, ao acaso, descobrem que no local onde havia a fogueira se encontrava um material transparente até então desconhecido. Formado pela fundição em alta temperatura da sílica e do calcário (encontrados respectivamente na areia e nas conchas), o vidro causou o deslumbramento dos povos da antiguidade.

Areias que trouxeram deslumbramentoPor sua beleza e múltiplas funcionalidades, logo o vidro passou a ser amplamente aplicado em diversos setores da vida cotidiana. Hoje está presente em quase tudo que utilizamos. Mas a sociedade moderna além de produzi-lo em larga escala, também cria uma enorme quantidade de refugo – que cedo ou tarde será descartado em grandes depósitos de lixo.

Hodiernamente, uma alternativa encontrada para a diminuição dos impactos sofrido pelo meio ambiente é a reciclagem desse material. Em fábricas específicas, pedaços de vidro são feitos em partes menores e posteriormente derretidos para a refabricação do material. Dados de 2003 da Abividro (Associação Brasileira das Indústrias de Vidro) apontam o reaproveitamento de 45% das embalagens em relação à produção total desse material no País.

Por mais que seja difundido muitas vezes pelas mídias, a reciclagem não é, contudo, a primordial das alternativas a ser utilizada, pois apenas ameniza as consequências. Algo que os povos da antiguidade já sabiam desde sua época. A produção a partir das matérias-primas sempre foi tortuosa, por isso o seu uso era específico, e hoje ainda encontramos melhores reflexões para o destino do material.

Uma das diretrizes é seguir o raciocino dos famosos 3R’s, que vêm a ser: Redução, Reutilização e Reciclagem. A ordem em que são colocados não é casual, estão assim dispostos por seguir uma padronização. O entendimento é que a primeira conduta a ser adotada é a Redução de tudo aquilo que nos é supérfluo. Não é necessário que cortemos todos os nossos hábitos, ou suportemos privações, o que se espera é que adotemos uma conduta mais condizente com o manejo adequado para a sustentabilidade de nosso padrão de vida.

A partir dessa primeira etapa, o que se recomenda é a Reutilização de tudo o que possa ser reaproveitado. Seja fazendo o reuso das mesmas funções, ou encontrar novas aplicações do material tal qual ele se encontra. Só então é que passamos para a Reciclagem daqueles materiais que necessitamos do seu uso e que posteriormente não puderam ser reaproveitados. Assim, devemos destiná-los especificamente para locais em que irão passar por outra fabricação do material, utilizando os restos do produto e sem necessitar empregar novas matérias-primas.

A explicação é bem simples. Por necessitar de novos gastos energéticos para sustentar a fábrica de reciclagem, a reutilização do vidro é preferível à sua reciclagem. Como no caso das embalagens, que necessitam apenas de uma higienização para ser novamente empregada para o mesmo fim, fazendo o impacto ambiental ser largamente reduzido.

Como nos encontramos em um estágio de fácil consumo, muitas das vezes nos esquecemos do desgaste sofrido ecologicamente. Aumenta-se muitas das vezes o consumo, ou o descarte dos resíduos se torna irresponsável, por se acreditar infundadamente que a reciclagem permite a completa eliminação dos riscos ambientais. Possivelmente, os antigos mercadores fenícios ao se depararem com os restos no solo, não previram que nossa mentalidade sobre a correta utilização daquele material não pudesse se tornar tal qual o seu achado se apresentou a eles: tão fascinante e límpida por sua lucidez.

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1 Comentário

  1. Johnny Rox disse:
    Postado em segunda-feira, maio 18, 2009 9:48:00 PM

    Querem fechar a porta depois que o ladrão já entrou. Não tem mais jeito.

     

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