Uma invenção à Bolivariana

Passados 10 anos no poder, Hugo Chávez afirma que ainda não foi o suficiente para firmar as reformas que quer para a Venezuela. Resta saber se elas realmente virão, ou se ele apenas se preocupa em se manter na função.

Aprovada pelo referendo nesse mês de fevereiro, a garantia constitucional de reeleição ilimitada a todos os ocupantes de cargos públicos abre caminho para o sonho chavista de um governo que tem a pretensão de consolidar uma ‘revolução’ na América Latina. E essa sua idéia fixa não é algo recente.

Participando de um grupo de oficiais nacionalistas, denominado Movimento Revolucionário Bolivariano 200 (MRB-200), Hugo Chávez promove uma tentativa frustrada de golpe contra o então presidente Carlos Pérez, em 1992. Anistiado dois anos depois, sai da carreira militar para seguir a vida política. Alimentando o desejo de unidade política latino-americana, Chávez vive a ilusão de reviver Simón Bolívar.

Militar e estadista, Bolívar liderou movimentos de libertação de colônias americanas, como Panamá, Equador, Peru, Colômbia e Bolívia. Na Carta da Jamaica assume publicamente a sua intenção de formar uma confederação de nações hispano-americanas, para fazer frente às grandes nações européias e que fosse capaz de alcançar o desenvolvimento nacional.

O oponente do presidente venezuelano não é mais a coroa espanhola, como era para Bolívar, mas sim o império norte-americano. Desde seu primeiro governo, ainda na década de 90, já afirmava que não seria fácil obter seus anseios pela via política ou diplomática, mas que poderia ocorrer unindo forças com os demais vizinhos sob uma mesma bandeira. O interessante é que até mesmo o braço político das FARC (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia) é chamado Movimento Bolivariano pela Nova Colômbia.

Seguramente que Chávez conseguiu controlar a inflação na Venezuela e que conta com o apoio popular. mas é justamente por conduzir ações assistencialistas, que tanto desegradam as elites locais. Pautado em medidas apenas superficiais, não vejo nenhuma Revolução Bolivariana se desencadeando por lá. O que podemos notar é que sua atenção está mais voltada para retirar a região da área de influência dos EUA, do que para resolver os problemas reais. Afinal, estaria apenas invertendo o controle da região.

A continuidade no poder não é sinal de que irá cumprir com seu acordo, mas esperamos que Hugo Chávez possa assumir determinadas responsabilidades com o povo que o elegeu.
Imagem: Washington Times

Página Virada

O Novo Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa já está em vigor desde o dia primeiro deste ano, mas até o final de 2012 a grafia antiga ainda será aceita, e ainda assim reluto contra a decisão.

O acordo pretende uniformizar a escrita dos oito países lusófonos, integrantes da Comunidade dos Povos de Língua Portuguesa (CPLP), a saber: Brasil, Portugal, Moçambique, Angola, São Tomé e Príncipe, Guiné-Bissau, Timor Leste e Cabo Verde. A pretensão é de que 98% do vocabulário tenha a mesma grafia nesses países.

Ao contrário do que apregoa o acordo, não é essencial buscar a simplificação da ortografia, mas sim a concretização da plena expressividade, esta sim a peça fundamentadora dos idiomas. Pois a letra fria das convenções de nada valerá se não servir para o melhor proveito de seus destinatários.

Como já se afirma, a ortografia não passa de mais uma convenção criada pela sociedade. É assim justamente porque alguém quis que fosse assim. E pronto. Já a fala, está é mais antiga que a escrita. De forma que o modo que grafamos uma palavra não é necessariamente o modo como a falamos. São os próprios falantes que ajustam o idioma, e não meras regras gramaticais.

Mas essa já é uma batalha perdida. Temos até 2012 para nos adaptar às normas. E o Grãos de Areia, resignado, já começa a adotar as mudanças. Caso você, leitor, encontre algum termo grafado fora das novas regras, pode me alertar. Espero apenas me comunicar bem, que minha mensagem possa ser compreendida, e nada mais. Enquanto isso, vamos escrevendo novas páginas...

Retroceder para Avançar

Se 2008 foi um ano que deixou muitos registros para a História, 2009 já começa prometendo maiores repercussões.

A saúde financeira mundial corre o risco de entrar em uma recessão prolongada. Segundo dados da Organização Internacional do Trabalho (OIT), a previsão é que haja neste ano 20 milhões de demissões devido à crise internacional, além do salto de 480 milhões para 520 milhões o número de pessoas que ganham menos de US$ 1 por dia.

Isso sem mencionar que as tensões internacionais estão se agravando. O Oriente Médio continua como o barril de pólvora do globo, assim como a região do Cáucaso sofre pressões. Além de a China rivalizar com os EUA no comércio mundial, a Rússia também disputa por áreas de influência. Enquanto que na América Latina vários focos de conflitos políticos e sociais eclodem. E ainda temos a questão ambiental, na qual o planeta já dá sinais de esgotamento.

Bem que poderia estar anunciando a descrença de um mundo falido. Mas ainda não creio que estamos vencidos.

Conflitos entre nações não se concluem momentaneamente. E ainda há pessoas dispostas ao diálogo e à negociação. Além da eleição para presidente norte-americano alguém que promete um governo mais conciliador. E de tudo isso, a crise econômica pode servir como freio do modo acelerado e irresponsável de consumo dos recursos energéticos e naturais. Além de buscar a sustentabilidade, pode ser o ponto que faltava para o aumento dos investimentos em energias limpas e renováveis, e a mudança para um mercado com maior regulamentação e fiscalização.

O momento atual é de rever as prioridades que construímos e erguer novos alicerces. Por pensar assim, o Grãos de Areia, depois de uma breve pausa, entra em 2009 de cara nova, mas mantendo a mesma essência. Tentando fazer uma versão diferenciada, para sempre querer aprimorar. Com calma, mas mantendo a persistência, iremos avançar. Quem quer dar o primeiro passo?
Imagem: Abduzeedo

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