(In)dependência

Grão lançado ao ar por All3X às 10:36 de terça-feira, 16 de setembro de 2008

Após a imediata chegada de Dom João na costa brasileira, já em Salvador, seu primeiro ato enquanto governante foi promulgar a Abertura dos Portos às Nações Amigas, em janeiro de 1808.
A carta régia marca o fim do Pacto Colonial, liberando o Brasil do monopólio lusitano e dando início ao comércio internacional. E sem contar que, em abril do mesmo ano, Dom João ainda assina um novo documento revogando o alvará de D. Maria I, de 1785. Este tinha proibido a instalação de qualquer tipo de indústrias no Brasil (exceto as de fabricação de pano grosso, para confecção de sacos para o estoque de café e vestes para os escravos), mas agora já seria possível fundar qualquer tipo de investimento em solo nacional.
Mesmo tendo propiciado um pequeno surto de industrialização, a abertura dos portos deixou a pequena indústria nacional que estava para se formar em desigual competição com o mercado externo, principalmente o inglês. A Inglaterra já vivia internamente um longo processo de incremento e diversificação de sua economia, já o Brasil estava ainda marcado pela dependência da empresa açucareira.
A aristocracia rural foi o segmento que mais lucrou, pois houve a perpetuação do comércio agro-exportador. Evento que hoje apenas mudou da produção em larga escala do café para ter como carro chefe a soja.
Hoje, o Brasil detém 1,14% do fluxo comercial mundial, sendo a 10ª maior economia global, mas apenas a 24ª maior exportadora, conforme o jornal Estadão anunciou este ano.
Somos responsáveis por abastecer o resto do mundo de commodities. Pois isto agrada às grandes potências, e mercado consumidor não irá faltar. Se não negamos que somos politicamente independentes (ou pelo menos parcialmente independentes), não nos restam duvidas que, por mais que a economia brasileira tenha crescido, ainda há muito para se fazer, pois continuamos quase que totalmente dependentes do capital internacional.
Às margens do sistema, ainda permanecemos – há mais de 200 anos – apenas produzindo, disfarçadamente, pano grosso.

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  1. Luis Otavio disse:
    Postado em terça-feira, setembro 16, 2008 1:49:00 PM

    mais um belo texto para a coleção
    de um belo blog bem organizado e com otimas materias.
    bacana mesmo

    abraços

    http://nalinhadefundo.blogspot.com/

     
  2. All3X disse:
    Postado em terça-feira, setembro 16, 2008 2:02:00 PM

    Valeu Luis, fico muito agradecido, e volte sempre.
    All3X

     
  3. Postado em terça-feira, setembro 16, 2008 2:02:00 PM

    Sempre fico muito feliz em encontrar textos com esta lucidez.

    Abertura dos portos realmente teve este caráter. Foi importante também mais pra frente, para a substituição da mão de obra escrava por outra tão boa e baratinha. Aí vieram os italianos, espanhóis e japoneses pra cá.

    Acredito que disfarçamos demais quando falamos em desenvolvimento econômico. O que se esconde por trás de rankigs deste tipo é justamente a deficiência tecnológica que nós temos. Importamos tudo, pagamos royalties, e isso amarra o nosso desenvolvimento. Não adianta expandir o etanol se os insumos agrícolas, por exemplo, vêm de fora.

    O que fazer com um país que se vende grande mas que teve a sua primeira universidade construída em 1934?

     
  4. Postado em terça-feira, setembro 16, 2008 2:32:00 PM

    E continuaremos nos próximos 200 anos...

     
  5. All3X disse:
    Postado em terça-feira, setembro 16, 2008 4:20:00 PM

    Perfeita análise Michell. O Brasil é o país dos paradoxos, temos um longo caminho pela frente, mas não podemos deixar, Dudu, que isso se repita pelos próximos 200 anos. Valeu,
    All3X

     
  6. danisiinha disse:
    Postado em terça-feira, setembro 16, 2008 5:18:00 PM

    o blog é muito bom... assuntos interessantes...esse post é de uma qualidade informativa muito grande...
    parabens...

     
  7. Marcelo disse:
    Postado em quarta-feira, setembro 17, 2008 10:22:00 AM

    Isso me apavora, sabia? Há duzentos anos eram um país exportador de matérias primas e importador de bens industrializados... Hoje, o cenário é diferente, somos um país exportador de matérias primas e importador de bens tecnológicos... Sei... fica um gostinho de "nada mudou"...
    Mas enquanto se achar que investir em pesquisa é dinheiro desperdiçado, continuaremos sendo o celeiro do mundo. Mas o triste é que o celeiro fica perto do curral... e isso á um duplo sentido horroroso para a gente.

     
  8. All3X disse:
    Postado em quarta-feira, setembro 17, 2008 12:45:00 PM

    Concordo contigo Marcelo, devmos sair dessa 'função' de sermos o celeiro do mundo, afinal, quem designou que assim que deve ser?
    Já estamos a tempos atolados em lama...

     
  9. HoneyBee disse:
    Postado em quarta-feira, setembro 17, 2008 4:43:00 PM

    A diferença é que agora não apenas fabricamos panos grossos, como colocamos panos quentes por cima.

     
  10. rosangela. disse:
    Postado em quarta-feira, setembro 17, 2008 4:55:00 PM

    Talvez se tivessemos governates que não so pensa-se em tirar um por fora ..estariamos mais avançado e com a economia muito melhor..

    forncemos oq temos de de melhor na nossa produção para outros paises e ficamos com as mercadoreis de 2ª..

    Abç..

     
  11. Postado em quinta-feira, setembro 18, 2008 8:16:00 AM

    Bom texto, e realmente.. o país tem muito o que melhorar e ainda mais em relação a ser auto suficiente...

    Até o próximo post

     
  12. Postado em quinta-feira, setembro 18, 2008 10:42:00 AM

    Eu concordo q podemos ser livres mesmo estamos ligados a alguém. Mas acho q essa liberdade só é completa quando a gente esta junto por que quer e não porque depende do outro. Depender do outro é uma forma de escravidão.

     
  13. Postado em quinta-feira, setembro 18, 2008 2:25:00 PM

    Por isso me pergunto: Por quê Colombo não desembarcou aqui???

     
  14. Nanamada disse:
    Postado em sábado, setembro 20, 2008 2:25:00 AM

    È a nossa vocação para quintal.Mas tenho fé que isso mude...

     
  15. All3X disse:
    Postado em sábado, setembro 20, 2008 11:14:00 AM

    'Panos quentes', perfeito honeybee.
    Rosangela, isso que mencionou conta muito mesmo para a perpetuação do nosso estado econômico, e assim como a Nana aqui em cima, também espero que isso mude.
    E Michel, é difícil fazer previsões do tipo, não temos como saber se seria melhor ou não.
    Aguardo todos até o próximo post sim, valeu in expressive.
    Até mais
    All3X

     
  16. Postado em sábado, setembro 20, 2008 5:21:00 PM

    A nossa economia cresceu mas é preciso que esse crescimento seja ainda maior e possibilite melhorar as condições de vida da população, sobretudo da parte menos favorecida desta. Não podemos mais continuar a praticar o mesmo tipo de economia que só favorece a uns poucos em detrimento da exploração da força de trabalho de muitos.

     
  17. Leonardo disse:
    Postado em sábado, setembro 20, 2008 5:50:00 PM

    Realmente um ótimo texto....
    O layout é muito legal....

    Abraços!

     

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