O eterno símbolo do protesto – O cinqüentenário de um Sonho

Na cidade de Aldermaston, a 84 km de Londres, o governo britânico desenvolvia um centro de pesquisas nucleares. Como forma de protesto, o movimento pacifista CND (sigla em inglês de Campanha para o Desarmamento Nuclear), planejou fazer uma marcha até o local para marcar a fundação do grupo - no ano de 1958 -, e exigir o fim da construção de armas de destruição em massa no mundo.
Aquela era a época da Guerra Fria, estando no auge a corrida armamentista, liderada pelos Estados Unidos e pela então União Soviética, mas também seguida por outros países da Europa, entre eles o Reino Unido.
Para apoiar a campanha e ter incentivo popular, o grupo contratou Gerald Holtom, um designer comercial e artista gráfico, para projetar um símbolo que fosse forte o bastante para ser usado por toda a população como referência direta do protesto.
O resultado deu mais do que certo. O símbolo se difundiu e é usado hoje em diversos movimentos de contestação. Se antes era de uso quase exclusivo do grupo contra o armamento nuclear, a partir dos anos 60 ele serviu de estandarte do movimento da contracultura, como símbolo anti-guerra e pela paz.
Todavia, passados 50 anos do episódio, pouca coisa mudou...
Segundo cálculos do Departamento de Pesquisa de Conflitos e Paz da Universidade de Uppsala, na Suécia, autor do relatório "Estados em Conflitos Armados”, há no mundo hoje cerca de 30 guerras ou conflitos em andamento, um dos piores índices das últimas décadas.
Os pesquisadores dividem os eventos de acordo com sua natureza, que pode ser "Guerras e Conflitos Menores", categoria onde se encaixam os eventos no Afeganistão e Iraque, "Conflito Não-Estatal" e "Violência Unilateral" - neste último se encaixam, por exemplo, as FARC’s e o Comando Vermelho.
Para chegar à categoria principal, eles passam o evento pelo filtro da definição da Fundação Prêmio Nobel, que patrocina parte do estudo. Guerra, diz a Nobel, é um conflito armado em que há pelo menos mil baixas militares em batalhas, onde ao menos uma das partes envolvidas é o governo de um Estado. A entidade reconhece que, se fosse mais elástica na definição -500 mortes, por exemplo-, o número saltaria.
Dessa vez não sei o que dizer, resta-me o silêncio. O que nos falta fazer para vislumbrarmos a convivência harmoniosa e pacífica em sociedade?

“Salvamos a Democracia”

Foi com essa frase que o então presidente do Brasil Arthur da Costa e Silva declarou o início da vigência do AI-5. O Ato dava poderes ao presidente para cassar direitos políticos, aumentar a repressão dos movimentos de protesto e intensificar a censura, entre outras intervenções.
Postura semelhante à de Robert Mugabe, presidente do Zimbábue, que, pretensamente, para resguardar a democracia e defender os interesses nacionais, restringe as liberdades civis dos seus concidadãos. Contudo, nenhuma democracia existe em um país moldado quase exclusivamente para atender os anseios do mercado neoliberal, tendo como finalidade satisfazer um pequeno grupo social.
Temos que salientar que um verdadeiro Estado Democrático de Direito deve assegurar a realização da cidadania, que é a efetiva participação do indivíduo na vida política de seu país, de modo a concretizar sua vontade nas diretrizes políticas. Surge de modo que todo indivíduo se ache satisfeito em seus interesses e integrado com a realidade sócio-política nacional.
Uma verdadeira democracia tem como pilar a concretização dos direitos e garantias fundamentais dos cidadãos, planejando políticas sociais que visem atender ao maior número de indivíduos, para que estes possam fluir de seus direitos. Condição esta de realização da justiça e de respeito à dignidade da pessoa humana.
Este ano temos eleição em nível municipal, momento de legitimação à atividade pública. É chegada a hora de cada cidadão possa se valer de seus direitos e o use de como consciente, para que verdadeiros líderes democratas e não tirânicos sejam eleitos. Além de que deve ser frisado que tal condição de cidadania não se encerra após o período eleitoral, mas perdura durante toda a atividade da vida pública.
É necessário que nós brasileiros desenvolvamos o que Paulo Freire definia como vivência democrática, passando por uma reformulação cultural que nos torne cidadãos mais críticos em relação às políticas públicas, para preservar não o interesse classista - de uma minoria ou grupo segregado-, mas coletivo, incluso aí o interesse de todos nós. Salvemos então nós a verdadeira Democracia, e não deixemos que outros a salvem por nós!

A Democracia bate em sua porta

Após 1967, a ditadura militar brasileira estava aumentando a repressão contra os movimentos de protesto ao governo. E naquele período as manifestações estudantis eram os mais expressivos meios de denúncia e reação contra as arbitrariedades do governo. A cada ato de represália militar, as forças de oposição ganhavam mais apoio popular.
O movimento culminou na Passeata dos Cem Mil, em junho de 1968, que ocorreu no centro do Rio de Janeiro, na Cinelândia, sendo a maior e mais representativa manifestação de protesto ocorrida no país desde a instalação do regime militar.
Em março daquele mesmo ano, um estudante secundarista tinha sido baleado por um policial dentro de um restaurante universitário. O cortejo foi acompanhado por aproximadamente 50 mil pessoas, o que já mostrava a inclinação da população contrária aos atos de extrema violência praticada pelo regime. Em abril, outro evento marcante foi durante a missa da Candelária, no qual soldados a cavalo investiam contra todos os presentes no local.
As manifestações eram promovidas pelo movimento estudantil, mas contou também com a participação de profissionais liberais e religiosos, assim como de intelectuais, entre escritores, jornalistas, professores, cineastas, atores e músicos do país, que eram perseguidos pela censura.
Durante os confrontos com o governo, muitos jovens morriam, ou eram seqüestrados e torturados. O que atemorizava as mães era o fato constatado de que se hoje morreu um jovem, amanhã poderia ser um de seus filhos.
Esse foi um dos marcos do movimento, a grande mobilização da classe média, principalmente o público feminino. Geralmente esta é a ala mais moderada e apática perante movimentos sócio-políticos. Evento que se tornou comum nos movimentos contrários às ditaduras latino-americanas.
Com maciça adesão popular, refletindo o seu crescente descontentamento, o movimento reivindicava o fim da censura, o restabelecimento das liberdades democráticas, pondo fim à repressão e a redemocratização do país. Porém, em dezembro daquele ano, o governo endureceu o regime editando o Ato Instituição N.5. Os Anos de Chumbo, como assim foram chamados, representou o período em que a população viveu perante grande temor e subjugada à violência estatal.
No início do governo do até então Estado da Guanabara (entre 1965-1970), Francisco Negrão de Lima tinha como campanha a mensagem de que ao final de seu governo, quando alguém batesse em sua porta, você poderia ficar tranqüilo que não se trataria da polícia, e sim do leiteiro. No entanto, não foi o que houve.
Mas se momentaneamente nada mudou no panorama nacional, tendo inclusive aumentado a repressão, ainda assim o movimento não fracassou. A maior revolução obtida foi a mudança de mentalidade. A população passou desde então a ter maior consciência política, que levou sim, em certo prazo, na redemocratização do país. Só me falta saber se, depois do ocorrido, ainda temos a mesma consciência de antes...

Um pedaço diário de Paz

Segundo um mito japonês, o grou é uma ave sagrada que pode viver mil anos. Como símbolo da longevidade, acredita-se que a pessoa que se encontrar enferma e fizer mil dobraduras deste pássaro conseguirá ser curada. A crença, contudo, se difundiu mais recentemente, ao final da Segunda Guerra Mundial.
Em 1945, a cidade de Hiroshima foi devastada com a explosão da bomba atômica pelos norte-americanos. Milhares de civis morreram instantaneamente pelo intenso calor gerado pela reação nuclear, outras, que estavam um pouco mais distantes do local, sofreram queimaduras bastantes sérias provocadas pela radiação e posteriormente também vieram a falecer.
Contudo, houve outras tantas vítimas que não morreram no momento da explosão, mas que também sofreram com o incidente. Vítimas da radiação, o organismo destas pessoas passou a ser afetado com o desenvolvimento anormal das células. Momentaneamente, aqueles que eram acometidos por estas doenças se mostravam assintomáticos. Os efeitos só viriam a ser diagnosticados com o tempo.
Sadako Sasaki era uma das crianças que foram afetadas. Desenvolveu leucemia, conhecida como ‘a doença da bomba atômica’, justamente por ser a que mais se alastrou entre aqueles que estavam nos arredores do fato ocorrido.
Em uma das visitas feitas a ela no Hospital da Cruz Vermelha, uma de suas amigas lhe contou o mito do grou. Com a expectativa de ser curada, a garota passou a confeccionar as mil dobraduras de papel. A cada origami feito ela escrevia a palavra ‘Paz’ em suas asas.
No entanto, após 964 peças feitas, Sadako não resistiu à doença e faleceu quando tinha 10 anos de idade. Seus amigos e parentes fizerem as outras 36 que faltavam a tempo do seu funeral.
O tsuru, como também é chamada a ave, passou também a ser símbolo da paz a partir daquele momento. Em 1958, três anos após a morte da menina, foi inaugurado o “Monumento das Crianças à Paz”, localizado no Parque da Paz – em Hiroxima, local do epicentro da explosão.
O valor da construção foi arrecadado de cerca de três mil escolas japonesas e de outros nove países que se mobilizaram com a situação e pediam pela paz mundial. Todos os anos, no dia da Paz, o Monumento recebe milhares de tsurus de papel vindos do mundo inteiro como forma de protesto e reivindicação de um mundo melhor.
Que assim como a menina que nunca desistiu de seu sonho, que possamos nós, a cada dia de nossas vidas, confeccionar um pedacinho dessa grande obra que tende à formação de uma sociedade mais justa e harmônica. Tudo depende do esforço diário que empregamos para tal finalidade.

Antes de o Sol se pôr

Após vários anos de agitação política, o último xogum renuncia e em 1868 assume o poder o Imperador Meiji, que não só aboliu o sistema de xogunato no Japão, como encerrou a era feudal. O arquipélago passa então a voltar seus olhos para o ocidente.
Até o momento, o país vivia em um regime de isolamento das outras nações e possuía uma economia atrasada, sendo controlado política e economicamente pelos xoguns. Contudo, o novo império, conhecido como ‘Regime Iluminado’, preparou o terreno para a modernização do país.
O Japão da época possuía enormes entraves para seu desenvolvimento, como pouca disponibilidade de recursos naturais e fontes de energia, território pequeno que não é suficiente para grande cultivo de plantações, além de ser grandemente recortado, formado por aproximadamente 3.000 ilhas. No entanto, soube promover as reformas necessárias e gerenciar os investimentos para fortalecer o crescimento econômico.
Uma das principais reformas promovidas foi a agrária, em 1886, que dava aos camponeses o direito de adquirir propriedades rurais. Contudo, como havia poucas terras cultiváveis no país e a população crescia rapidamente, o governo viu-se no meio de uma crise. A solução veio logo: incentivar a população a emigrar para nações amigas.
A economia brasileira da época era movimentada pelo café, sendo o país responsável por produzir 4/5 do consumo mundial do grão, e havia a preocupação iminente de perda da mão-de-obra agrícola. Desde 1830 o tráfico negreiro estava proibido, o que pressionou o governo a substituir escravos por trabalhadores imigrantes. Foi então que o Brasil publica, em 1907, a Lei de Imigração e Colonização, que permite a migração entre Brasil e Japão.
Os primeiros raios de Sol surgiam no horizonte iluminando a Serra do Mar, que mais parecia, naquele instante, apenas pequenos pontos verdes além do imenso azul do Atlântico. Depois de duas paradas, uma em Cingapura e outra na Cidade do Cabo, o navio Kasato Maru, que partiu do Porto de Kobe, atraca no Porto de Santos, em uma manhã de junho de 1908, após 52 dias de viagem. Trazia 781 passageiros, oriundos principalmente da cidade de Osaka.
Segundo O Correio Paulistano do dia 26 de junho de 1908, assim dizia o artigo, de autoria do então inspetor da Secretaria de Agricultura - órgão responsável pela política migratória do governo do Estado de São Paulo - J. Amâncio Sobral:
“(…) Esta primeira leva de imigrantes japoneses entrou em nossa terra com bandeiras brasileiras de seda, feitas no Japão, e trazidas de propósito para nos serem amáveis. Delicadeza fina, reveladora de uma educação apreciável”.
Neste ano de 2008 comemoramos o centenário da imigração japonesa ao Brasil, relembrando o encontro cultural entre os dois povos. Mas o que devemos ponderar neste evento é o que nós aprendemos com o exemplo japonês de disciplina.
Nestes 140 anos que o Japão saiu do período feudal, ele deixou de ser uma nação economicamente atrasada e se tornou a segunda economia mundial, tudo isso ainda sofrendo enormes baixas nas duas grandes guerras mundiais. Enquanto que nós continuamos no mesmo modelo agroexportador que incentivou a vinda deles ao nosso país.
O que faz jus ao termo ‘Terra do Sol Nascente’, pois sua cultura é capaz de se valer das oportunidades oferecidas pela natureza para promover o desenvolvimento. Não especificamente a natureza física, mas a humana. Foram capazes de fazer de forma planejada e organizada uma gestão eficiente que tinha tal finalidade. Saber gerir os recursos financeiros e bem aplicá-los em setores estratégicos podem ser apontados como a receita do sucesso japonês de prosperidade.
Tudo isso porque tiveram a aptidão de considerar que prosperidade de verdade se faz com desenvolvimento humano. Investindo, entre outros, em setores como saúde, educação e qualificação pessoal e profissional, integrando o crescimento econômico com o bem estar social.
Atualmente, enquanto os japoneses lucram com comércio de bens de alta tecnologia, nós vivemos da exportação de commodities, que possuem pouco valor agregado. Além do fato que sua sociedade colhe os frutos de um desenvolvimento igualitário para todos os setores sociais, promovendo o incremento da qualidade de vida de quase toda a população. E nós amarguramos os prejuízos trazidos pela enorme desigualdade social.
O tempo avança e perdemos a cada dia que passa a oportunidade de superar tais entraves. Devemos então seguir o exemplo japonês e fazermos semelhante. Para não mais remediarmos no futuro, devemos agir com celeridade, antes que acabe o tempo que ainda nos sobra para tomarmos alguma medida necessária. Antes que o Sol se oculte atrás da linha do horizonte e não possamos fazer mais nada.

Um Combatente em Todos Nós

Fotografado por Alberto Korda em 1960, a imagem de Che Guevara persiste como um dos ícones gráficos mais reproduzidos na história. Contudo, o que ela representa?
Nascido em Junho de 1928 na cidade de Rosário, na Argentina, Ernesto Guevara de la Serna era formado em Medicina, mas dedicou sua vida pela luta política. Com o amigo Alberto Granado, durante a década de 50, percorreu de motocicleta o continente americado desde seu país natal até os Estados Unidos, num percurso de mais de dez mil quilômetros.
Durante a viagem Che Guevara teve contato com a reaidade de desigualdade social vivida pela maior parte da população latino-americana, assumindo a partir daí um compromisso contra as injustiças sociais. Foi no México que conheceu os irmãos cubanos Raul e Fidel Castro, se unindo a eles em um combate contra a situação política vivenciada na ilha do caribe.
A contradição veio de Fidel, que não tinha como objetivo implantar um governo comunista, mas após o golpe de regime, se alia à União Soviética e instaura um período de ditadura de partido único, que antes havia lutado para derrubar, que segue até hoje.
Contudo, por sua vez, Ernesto não se acomodou com a vida que tinha em Cuba. Buscava ele promover mudanças em toda a política administrativa mundial e lutava para que ocorresse essa alteração no estado das coisas através da crença de sucessivas revoluções. Foi numa dessas lutas armadas que ele morreu, em 1967 na Bolívia.
Por sua determinação em continuar perseguindo seus objetivos, Che Guevara ainda é um mito, símbolo revolucionário e de inconformismo com as tendências políticas principais.
Mas a pergunta que se forma é: representava ele um símbolo da rebeldia desmedida ou do ideal revolucionário?
Rebelde é aquele que busca apenas protestar contra uma causa, que não aceita ou se conforma com determinada estrutura. Revolucionar é algo a mais, é objetivar uma transformação da realidade e alcançar um ideal.
Quando postei o tópico referente à Ilha de Páscoa, interessei-me pela imagem do moai que olha ao longe, como se vendo um possível futuro. Naquele tópico mencionava um futuro para a nossa existência no globo terrestre, a pergunta era se existiremos no futuro. Agora lanço o olhar pelos olhos de ‘Che’, enquanto vislumbra sobre como será essa existência, perguntando, desse vez, de que forma seremos.
Como título ficava a questão sobre ‘O Planeta que queremos Viver’, uma aferição de como é que queremos nos integrar ao resto do mundo, se seria de forma predatória ou sustentável e harmônica. Agora fica a indagação sobre ‘A Sociedade que queremos Ser’, se pretendemos a busca do bem individual ou do bem comum.
Então, o que representa a imagem de Che Guevara, um produto ou uma idéia?
O olhar lançado ao horizonte parce ir além do alcance de todos nós, se dirigindo ao infinito, rumo a uma utopia. Mas é possível enxergar que o bem coletivo pode sim ser alcançado, e que este abarca a noção do prazer individual. Afinal, o bem coletivo é justamente a concretização da satisfação por todos, de modo a respeitar cada um em sua particularidade e diversidade.
O estilo de vida que devemos conquistar é aquele que nos traga prazer, mas que seja compatível com a satisfação e o interesse dos demais membros do grupo social. Não precisamos olhar para muito longe, a realidade se passa bem aqui perto de todos nós.
Se a imagem do ‘Guerrilheiro Heróico’, como é denominada a figura que estampa esse tópico, permace figurando a imagem de Che Guevara como o incansável combatente dos ideais possíveis e realizáveis, que nós possamos ser nossos próprios heróis.

"Os poderosos podem matar uma, duas ou três rosas, mas jamais conseguirão deter a primavera."

Ernesto Che Guevara

Última flor do Lácio

"A Academia, trabalhando pelo conhecimento [...], buscará ser, com o tempo, a guarda da nossa língua. Caber-lhe-á então defendê-la daquilo que não venha das fontes legítimas, - o povo e os escritores, - não confundindo a moda, que perece, com o moderno, que vivifica. Guardar não é impor; nenhum de vós tem para si que a Academia decrete fórmulas. E depois, para guardar uma língua, é preciso que ela se guarde também a si mesma, e o melhor dos processos é ainda a composição e a conservação de obras clássicas."
Machado de Assis, Academia Brasileira de Letras
7 de dezembro de 1897

Nascido na Península Ibérica, o novo dialeto era considerado vulgar por ser uma cópia irregular do latim, levado por legionários romanos por volta do ano de 197 a. C. quando estes dominaram a região. Com a invasão dos bárbaros no século V e dos árabes no século VIII, o latim vai gradualmente sendo esquecido pela população, além de que os novos povos vão contribuindo com a diversificação de vocabulário da nova língua surgida.
Foi no ano de 1095 que o rei D. Afonso VI de Castela concede a Henrique de Borgonha o Condado de Portucalense, que mais tarde se torna reino. É devido a essa região onde ele se firmou que o idioma foi denominado de Português. Contudo, ainda era considerado língua da plebe, mas não tendo outra escolha, a nobreza teve que aceitar a fala ‘barbarizada’ da população humilde.
Passava-se o tempo e o novo dialeto não parava de crescer e no ano de 1385, na dinastia de Avis, o dialeto se torna idioma nacional. Com o tempo o reino cresce, desbravou mares e subjugou povos, que logo se aderiram ao idioma. Hoje, ele está presente em todos os continentes, sendo falado em Portugal, Brasil, Angola, Moçambique, Cabo Verde, Guiné-Bissau e São Tomé e Príncipe, além de Macau, Goa, Damão e Malaca e do Timor-Leste.
No Brasil, o idioma lusitano foi implantado no século XVI com o início da colonização, mas com o tempo foi se aprimorando, recebendo influências principalmente das línguas indígenas e africanas. Falado atualmente por aproximadamente 190 milhões de brasileiros.
Cada povo constrói sua história, apresenta raízes culturais diversas, sendo um dos fatos que distinguem uma nação o Idioma. Machado de Assis, em seu discurso nas seções inaugurais da Academia Brasileira de Letras, brilhantemente expõe os objetivos que esta possui: ser a guardiã do nosso idioma.
Triste é o fato de termos que hodiernamente aceitar certas imposições sobre alterações unilaterais acerca do idioma, como previsto no Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa. Machado de Assis já alertava sobre essa possibilidade em fins do século XIX, para não confundirmos que a verdadeira evolução da língua se faz, além dos escritores, por parte da população, pois só estes são partes legítimas do processo, e não pretensas autoridades. Menos ainda se daria por certos modismos, que podem parecer belos aos nossos olhos, mas não satisfazem os anseios sociais.
Devemos, então, sermos nós mesmos, antes de outro qualquer, nossos próprios defensores e resistentes na luta. Só espero que tenhamos sucesso...

“Cesse tudo o que a Musa antiga canta,
Que outro valor mais alto se alevanta.”

Luís Vaz de Camões

“Tem de todas as línguas o melhor: a pronunciação da latina, a origem da grega, a familiaridade da castelhana, a brandura da francesa, a elegância da italiana”.

Francisco Rodrigues Lobo, poeta português, sobre a língua portuguesa,
celebrada no dia 10 de junho, o mesmo da morte de Luís de Camões.

O Planeta que queremos Viver

O resultado de nossa intervenção...

Durante muitos séculos os nativos de Páscoa viveram na ilha coberta por uma densa floresta subtropical com rica fauna e flora. Justamente por apresentar tamanha fonte de recursos naturais, os rapanui se deram ao luxo de utilizar grande parte dessas reservas para construírem gigantes estátuas de pedra, os moais, que tinham como única meta indicar a pretensa superioridade de sua civilização, mas que deram causa justamente ao seu declínio.

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Hoje vivemos situação semelhante, para sustentarmos nosso estilo de vida pautado numa cultura do desperdício, estamos esgotando a capacidade de renovação ambiental do planeta. Causa idêntica a que levou os polinésios de Páscoa a sucumbirem, fenômeno descrito por especialistas como Ecocídio. Sem vegetação e com a maioria das espécies animais extintas na região, os habitantes locais de Páscoa ficaram isolados na ilha sem possuírem fonte de alimentos capaz de suprir as necessidades de todos, o que acarretou no declínio do número de habitantes, ocasionando inclusive a prática de canibalismo entre seus membros.

Um horizonte não tão promissor Moais, símbolo de uma civilização que se levou à ruína.

As formas humanas gravadas nos moais indicam os causadores de desastres desse porte: nós mesmos. O IPCC (sigla em inglês para Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas), orgão intergovernamental da Organização das Nações Unidas (ONU), deixou evidente que a ação humana desencadeada a partir da Revolução Industrial está levando o planeta a níveis de temperatura insuportáveis para muitas das espécies vivas. O aquecimento global já é uma realidade, não mais se trata de um acontecimento possível apenas em um futuro longínquo.

Os efeitos negativos já são perceptíveis: o aumento do degelo das calotas polares, a intensificação da ocorrência de furacões, prolongação de secas em determinadas regiões e chuvas demasiadas em outras. Alterações nos ciclos climáticos vistas em todas as regiões. Vivemos num mundo interligado, sob o mesmo céu somos conectados a todos os ecossistemas. Assim, torna-se necessário tomarmos atitudes que visem a preservação ambiental regional, mas que terá repercussão em todo o globo. Os movimentos ambientais que antes eram vistos como incômodos, já têm por parte de maior número da população uma maior aceitação.

Devemos construir uma sociedade ecossustentável, na qual seja possível consumir sem que haja o esgotamento das fontes de recursos naturais. A assinatura do Tratado de Kyoto já sinaliza para a mudança de postura dos países em quererem articular planos que possam reduzir os impactos sobre o meio ambiente. Estamos justamente neste 5 de Junho, Dia Internacional do Meio Ambiente, fazendo o possível para propagar essa idéia e mostrarmos que podemos aprender com os erros do passado e superar os obstáculos.

Coexista

Era o ano de 1099, e os muçulmanos de Jerusalém estavam acomodados em suas casas, comércio e mesquitas. Foi quando surge no horizonte uma horda de guerreiros europeus se aproximando da cidade. Não houve tempo para a defesa do local, e praticamente toda a população foi dizimada.

Após uma frustrada tentativa de tomar o local anos antes a pedido do papa Urbano II, os nobres europeus que responderam a seu chamado dessa vez levaram guerreiros bem armados e preparados, ao contrário da população miserável e obcecada pela fé, que por ela foi capaz de largar tudo e lutar pela Terra Santa, sem ao menos terem uma vez sequer um treinamento militar.

A palestina era ocupada na época por árabes muçulmanos, que desde o século VII, após a morte do profeta Maomé, se espalharam pela região. Logo após fora anexada ao Império Turco-Otomano, que perdurou até a Primeira Grande Guerra Mundial. Foi quando este foi desmembrado após a derrota da Tríplice Aliança para a Tríplice Entente. A Inglaterra, então, passa a ocupar parte da região do Oriente Médio, e com o apoio do governo britânico, judeus passam a migrar para a área tida como terra sagrada. Os judeus possuíam pouca presença no local, uma vez que no ano de 70 d.C., por ordem do general romano Tito, eles foram expulsos da região, dando início à segunda diáspora judaica. Mas é a partir do grande genocídio ocorrido na Segunda Guerra, que muitos países ocidentais apóiam o retorno dos judeus para a região para a formação de uma comunidade judaica.

A palestina sempre foi disputada por ter sido cenário de importantes personagens das três grandes religiões monoteístas do mundo. Sendo que cada qual quis e ainda luta a todo custo para manter sob seu domínio a região. Por um lado, judeus, que antes foram expulsos da região, querem agora regressar e formar hegemonicamente seu país. Em sentido oposto, temos os árabes palestinos que viram suas terras sendo tomadas de modo violento e ignorando a sua presença antes ali.

Até hoje os palestinos ainda possuem ódio pelas populações ocidentais por terem, desde o período das Cruzadas, avançado sobre seu território e oprimirem seu povo. A “terra que jorraria leite e mel” segundo consta em escrituras antigas das três religiões, até hoje, 60 anos após a criação do Estado de Israel, em maio de 1948, apenas derramou rios de sangue. Para que se possa realmente haver o convívio de árabes e judeus na região será necessário que ambos partam para o diálogo e façam concessões. Não seria necessário dividir a palestina em áreas judaicas e outras árabes, mas que se possa haver a coexistência desses povos em toda a região. Afinal, nós não vivemos neste mundo, e sim Convivemos.

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